FERTILIDADE
A fertilidade do solo foi e sempre será o mais importante insumo agrícola, infelizmente não se encontra este insumo na prateleira de uma loja como encontramos os demais. “Portanto a fertilidade é um bem que não se compra e sim deve ser promovida com manejos adequados e uso de produtos que possam contribuir para sua promoção”.
A fertilidade nativa deixada pela natureza vem atendendo as necessidades humanas por milhares de anos, mas somente nas últimas décadas se começou a observar que como outros bens naturais que consumimos a fertilidade é finita.
A partir desta constatação iniciaram em muitos países, pesquisas objetivando recuperar a fertilidade já perdida e manter a remanescente.
Manejos foram elaborados e de certa forma trouxeram benefícios ao solo, benefícios estes que minimizaram o desgaste verificado a cada ano de cultivo infelizmente não sendo eficiente o suficiente para uma recuperação ou manutenção plena da fertilidade perdida ou a ser perdida nas próximas décadas.
A crescente população e suas necessidades fazem com que haja uma demanda cada vez maior por alimentos, proporcionando uma atraente possibilidade de negócios. Com isto há na maioria das vezes uma busca por formas de aumento da produção visando resultados imediatos, esquecendo cada vez mais do item “Fertilidade”.
Em algumas culturas onde se aplica a forma de plantio direto percebe-se que há uma preocupação constante com a boa “saúde” do solo, mas se considerarmos que a fertilidade que nos têm proporcionado a obtenção de alimentos fora constituída por milhões de anos de ação conjunta de plantas e organismos (macros e micros) e condições climáticas com longos períodos de estabilidade.
Fica claro que a aplicação de técnicas como o plantio direto é o inicio de um procedimento adequado que traz benefícios após cada ano de cultivo, mas não fará que tenhamos novamente a mesma fertilidade que um dia nos apropriamos, isto porque a própria necessidade de plantio e seu manejo impede esta pretendida recuperação, ou seja, a dinâmica da agricultura atual não permite sua plena recuperação.
A própria natureza demonstra ao homem a necessidade da fertilidade e os benefícios que ela nos da oferecendo grandes colheitas sem o uso de grandes quantidades de adubos e defensivos agrícolas em áreas recém abertas, enquanto que em áreas antigas que não aplicam o manejo adequado o uso destes produtos aumenta a cada ano de cultivo tornando o custo cada vez maior, além da menor qualidade de sua produção seja pela própria colheita ou mesmo por resíduos químicos de produtos utilizados durante o plantio.
Há estudos que demonstram que em algumas áreas (mais antigas) como café e cana de açúcar o nível de fertilidade esta entre de 15 e 20%.
Com tantos anos futuros para produção esta situação aumenta a preocupação em se tomar atitudes hoje para que haja produção no futuro.
A fertilidade do solo não se mede pelo teor de matéria orgânica contida no solo, e sim a capacidade desta matéria orgânica em produzir substâncias húmicas (Ácidos Húmicos, Ácidos Fúlvicos, Huminas e outros atualmente considerados menos importantes).
O quadro acima mostra fontes de matéria orgânica e sua potencialidade de formação de substâncias húmicas.
Quando aplicamos estercos, compostos ou outros materiais, deveríamos conhecer quais são as origens desta matéria orgânica e com isto avaliar o potencial para formação de substâncias húmicas e promoção da fertilidade.
A natureza demonstra muito bem qual o melhor caminho para fertilidade, basta observar que em áreas onde não há qualquer sinal de fertilidade como solos atingidos pela erosão ou outros em mesmas condições de fertilidade,observamos que sem qualquer ajuda surgem algumas gramíneas como, por exemplo, barba-de-bode, rabo-de-burro entre outras, estas plantas conseguem desenvolver-se com o pouco que restou, e pela própria situação do solo faz com que suas raízes sejam volumosas e profundas, estas raízes pelo próprio ritmo vegetal serão as primeiras reposições de matéria orgânica , e matéria orgânica com capacidade de formação das substâncias húmicas (Ver quadro acima) que em segundo momento promoverão a fertilidade, infelizmente a interferência até que necessária do homem não permitirá que haja tempo para o aproveitamento máximo desta capacidade.
Como vimos no quadro acima a fonte de matéria orgânica com maior potencial de formação de substâncias húmicas são as raízes das gramíneas, e como sabemos estes vegetais não fazem parte das paisagens das áreas de plantio. Além disto há a agravante de se utilizar herbicidas para sua exterminação.
Mesmo que conservássemos esta forma de matéria orgânica com maior capacidade de formação de substâncias húmicas, outras condições seriam necessárias para se obter o máximo deste potencial, como por exemplo, umidade constante, temperatura adequada, proteção dos raios solares, proteção da ação dos vendos, não aplicação de calcários ou outros corretivos.
Estas condições necessárias ao aproveitamento de parte da capacidade de formação das substâncias húmicas atualmente somente é possível em grandes florestas que ainda não sofreram a interferência do homem e em áreas turfosas que também não sofreram interferências como drenagem, decapagem da camada verde etc... também em mangues ainda hoje há condições para a formação destas substâncias e de forma significativa.
Concluímos então que mesmo a melhor fonte de matéria orgãnica para produção de substâncias húmicas e que promoverão a fertilidade são as raízes das gramíneas que tem o potencial máximo de 19% e para que atinja este seu máximo seria necessário condições externas que não podemos oferecer pela própria dinâmica da agricultura atual.
Caso tivéssemos desta fonte em abundância, as condições atuais que oferecemos, proporcionaria um pequeno aproveitamento na formação de substâncias húmicas e na recuperação ou manutenção da fertilidade.
Como sabemos que a origem dos estercos, compostos e palhadas não são as melhores fontes de ligninas e seus teores são baixos somadas as condições atuais que oferecemos para a formação das substãncias húmicas e promoção da fertilidade, os resultados são ínfimos, não atendendendo sequer o consumido em cada ano cultivado. Normalmente a melhora que se verifica após as aplicações destes materiais é causada pelo nitrogênio existente nestas matérias orgânicas.
É comum ouvirmos dizer que dentre os estercos os dos equinos têm maior força, se observarmos os equinos quando pastam ao contrário de outros animais extraem parte das raízes das gramíneas, o que torna seus estercos com mais ligninas e mesmo que pouco ainda proporciona um melhor efeito no solo que os outros estercos.
Para obtenção de substãncias húmicas e promoção da fertilidade se faz necessário ter matéria orgânica de decomposição difícil (Lignina) e esta decomposição será realizada em longo tempo com condições favoráveis entre elas destaca-se a condiçao semi-anaeróbica.
Quando aplicamos matéria orgânica sobre o solo (estercos, compostos,palhadas etc... ), os elementos naturais, vento,sol e outros causam uma decomposição rápida fazendo que esta matéria orgânica se mineralize não permitindo a formação das substâncias húmicas e a promoção da fertilidade.
Lembrando que não devemos desconsiderar os efeitos positivos destas aplicações como, por exemplo, a proteção do solo, a ação dos raios solares e seu ressecamento, a maior humidade retida, o aumento da macrofauna. São alguns benefícios que contribuem para a minimização da degradação provocada pelo plantio intensivo.
Quando incorporamos matéria orgânica no solo, a mineralização também ocorre pela degradação rápida da matéria orgânica, desta vez causada pelo ataque de organismos ( macro e micros ). Sabendo que as matérias orgânicas disponíveis não são as melhores para formação de substâncias húmicas e que as condições também não contribuem para a sua formação, conclui-se que o que conseguimos atualmente é o mínimo e que mesmo assim ainda traz melhoras na produção, demonstrando que pela carência atual dos solos qualquer ação contribui para a produção.
Há aproximadamente 20 anos no Brasil (Apesar de ser pesquisado a mais de 150 anos por muitos países), encontrou-se uma fonte de matéria orgânica que pela sua formação contém bons teores de substâncias húmicas esta fonte é o mineral “Turfa”, mais precisamente a “Turfa Tropical”, material decomposto de forma semi-anaeróbica por milhares de anos, tendo teores de substância húmicas variáveis de acordo com sua formação (Quadro acima).
A interferência do homem nas turfeiras brasileiras que comumente foram utilizadas para plantios principalmente de arroz diminuiu em muito estes teores, isto porque a maior parte das substâncias húmicas são solúveis em água e através das valetas de drenagem forma levadas aos córregos e rios. Conhecemos atualmente várias fontes de minerais que têm na sua composição substâncias húmicas e sua qualidade pode ser vista no quadro abaixo:
A primeira e melhor fonte seriam as substâncias solúveis em água, sendo o Rio Negro (AM) o local onde há o maior volume destas substâncias, inclusive sua cor negra é pelo acumulo de substâncias húmicas, principalmente os ácidos húmicos.
Sabemos que os ácidos humicos se diluem nestas águas durante a inundação ocorrida na floresta amazônica. Esta fonte já foi estudada e o alto custo para seu aproveitamento tornou-se economicamente inviável.
A segunda melhor fonte são nossas turfas, mas por interferência do homem teve sua qualidade comprometida, mesmo assim se comparada a outras fontes ainda é melhor.
Por ser uma boa fonte de matéria orgânica disponível em grandes quantidades tornou-se atraente comercialmente, empresas mineradoras surgiram criando produtos que foram e são muito utilizados como condicionadores de solo ou como componente de substratos.
Como suas concentrações de substâncias húmicas ainda que maiores que outros produtos existentes no mercado ainda são pequenas e para um bom trabalho de recuperação da fertilidade, a quantidade a ser aplicada ainda é muito grande, fazendo com que o custo não a torne atraente aos produtores, pois a maior parte a ser comprada, transportada e aplicada teria o caminho da mineralização, isto porque a condição que tem em seu local de origem (Turfeira) não mais encontraria nas áreas de cultivo com isto somente as substâncias húmicas já produzidas na sua origem seriam atuantes no processo de recuperação e manutenção da fertilidade perdendo-se o restante pelas ações já mencionadas.
Conhecendo as necessidades da agricultura atual, as dificuldades e os materiais disponíveis, também a grande possibilidade comercial existente pelo estado em que se encontra o solo agrícola buscamos por alguns anos uma turfeira atípica devendo ser formada por raízes de gramíneas e estar em condições semi-anaeróbicas que não sofresse lavagem por rios nos períodos de enchentes e por fim não atingida pela ação humana.
Com esta fonte de matéria orgânica altamente decomposta e com alto teor de substâncias húmicas, sabíamos que teríamos o melhor produto a ser colocado no mercado, mas ainda havia o problema do custo, principalmente do manejo e frete.
Buscamos tecnologia e encontramos uma forma de extrair desta turfa somente as substâncias húmicas concentradas e assim obtivemos o melhor produto que além de promover a recuperação e manutenção dá fertilidade dá a todos envolvidos no processo produtivo e comercial da possibilidade de obter lucros e ainda fazer com que os consumidores finais tem tenham muitos ganhos seja no aumento do volume de produção, melhora na qualidade desta produção e por fim um grande ganho ambiental além é claro da satisfação de ter tido um procedimento correto em relação á terra que têm ou utiliza.
AUTOR: JOSÉ ROBERTO FARIA